Infância
Ai que saudade daquele tempo
Daquele tempo que não volta jamais,
Do ar tão limpo, do frescor dos dias, das minhas manhãs.
Vovó pegava em minhas mãos, botava toda a força
E lá íamos nós visitar a bisa.
Ah! Que saudade, saudade daqueles tempos de chuva, de alegria e das caminhadas...
Tão longas, tão longas e sempre tão carregadas de aprendizado.
Vovó, sempre rindo dizia quando uma ia correndo para chegar primeiro no portão da bisa: “Quem corre cansa, quem caminha alcança”.
Não sei o que houve hoje, mas bateu uma vontade inda agora, uma saudade, uma alegria por saber que aquilo vivi. E lembrar que naquele tempo faltava o que hoje sobra, mas hoje falta o que naquele tempo sobrava, a alegria da pureza que vai do olhar ao coração.
E que as vezes dá até raiva de pensar que talvez você esteja em um lugar que não deva estar. Eh, há tantos momentos bonitos que ficam perdidos na memória. Sua lembrança nos faz tão feliz. E pelo simples fato de lembrar que nos dá a confiança de que pode ser melhor, que pode ser bem melhor daqui para frente. É uma sensação tão boa que dá vontade de chorar, tão sublime que amor nenhum de hoje conseguiria atingir tal ápice.
Simples fato de viver bem consigo, em algum lugar perdido no próprio tempo. Está lá pronto para se achar.
Nesse ritmo de lembranças, alguns preferem esquecer, e eu quero lembrar. Das lembranças daquele frescor da manhã, meus pés passeando, em busca de rever minha “alicerce”, sem nenhum compromisso, íamos indo... devagar e sempre, feliz.
Parei, parei.... Pois a medida que tentava descrever, ia delimitando o que meus sentimentos por si só descrevem melhor.
Oh coração meu, que diante de tantos acontecimentos, frases e pensamentos resta-me apenas uma citação: Há lembranças que lembradas curam minhas feridas e fecham um vazio que um dia ali se instaurou.



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